
Quem saberá?
Uma caminhada de vida em linhas

Elizabeth
Meu coração quando mais jovem, sofreu e doeu de tamanha saudade. Sofreu demasiada solidão, preferindo assim, até se esquivar, e desesperado por tranquilizar-se, se fechou em um profundo mar de tristeza contida, escolhendo esquecer as muitas lembranças de um rosto que me é inteiramente familiar. Senti muitas vezes saudades doloridas daqueles que quase sempre me foram ausentes. Queria ter podido não aceitar toda a angustia da espera por alguém que nunca veio, e que por vezes sua chegada foi absurdamente tardia. Hoje ainda a espero, não com toda a empolgação de outrora, porque já se faz tarde, o sol já se pôs, e sei que não virá, não mais. Quem sabe eu devesse ir ao seu encontro. Certamente irei, simplesmente pelo fato de que meu coração não suportaria viver mais duas décadas de angustia, insatisfação, dor e solidão. Não sei como será, mas sei que muita coisa vai se concertar, e quem sabe o sol volte a brilhar. E poderei chorar um choro velho, um choro antigo.
Elizabeth
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